1.Introdução: Por que devemos encerrar as Faculdades de Economia
A economia convencional não é apenas uma disciplina imperfeita; é uma pseudociência baseada em mitos logicamente falsos que, por uma inércia institucional única, sobreviveram décadas após sua validade ter expirado. O professor Steve Keen, o "Economista Rebelde", é contundente: a profissão deveria ter sido encerrada nos anos 60. Enquanto o mainstream econômico permanece cego, Keen utilizou modelos matemáticos complexos para prever o colapso de 2008, provando que os "especialistas" não têm a mínima ideia de como o capitalismo realmente funciona.
Hoje, vemos figuras como Rachel Reeves no Reino Unido referências de modelos do OBR (Office for Budget Responsibility) que sofrem de um autêntico analfabetismo matemático. Se quisermos evitar a próxima catástrofe, precisamos substituir os economistas por engenheiros e biólogos - mentes habituadas a sistemas dinâmicos e fluxos reais, e não a diagramas estáticos de oferta e procurar que ignorem a existência do dinheiro e dos bancos.
2.O "Crime" Lógico: O Mito dos Bancos como Intermediários
O erro mais crasso da teoria neoclássica é o modelo de " fundos emprestáveis ". Nele, os bancos são pintados como meros intermediários, como se fossem adjacentes para emprestar açúcar. Esta visão é um “crime” contra a lógica contabilística. O modelo do "multiplicador de moedas" ensinava nos manuais que todos os empréstimos eram feitos em dinheiro físico — algo que não aconteceu há, pelo menos, 150 anos.
A realidade é ditada pela contabilidade de partida dobrada. Quando um banco concede um empréstimo, ele não retira dinheiro de lado nenhum; ele marca simultaneamente o seu ativo (a dívida que você passa a ter) e o seu passivo (o depósito que aparece na sua conta). Sobre este "milagre" contabilístico, Keen é categórico:
"Os bancos não emprestam ao reduzir uma conta e aumentar outra; eles emprestam aumentando a dívida e aumentando os depósitos ao mesmo tempo. Os empréstimos criam depósitos. Não há nada a diminuir na contabilidade do banco."
Ignorar isto é ignorar como a massa monetária é criada do "nada". Os bancos não precisam das suas poupanças para emprestar; Eles criam o dinheiro no momento em que digitam os números no sistema.
3.O Verdadeiro Vilão: O Cancro da Dívida Privada
Enquanto a política se perde em paranóias sobre o déficit público, o verdadeiro motor das crises financeiras é a dívida privada. Historicamente, é o excesso de individualização das famílias e empresas, e não os gastos do governo, que antecedem o abismo.
- A Grande Depressão (1929-1932): A dívida privada nos EUA atingiu o pico em 1932 com cerca de 140% do PIB , exacerbada pela deflação que se tornou uma dívida real impagável.
- O Erro de Thatcher (Anos 80): Antes de Thatcher, o Reino Unido dependia das Building Societies (Sociedades de Construção), que eram verdadeiras emocionantes e não criavam moeda. A "liberalização" permitiu que os bancos comerciais entrassem no mercado imobiliário, injetando crédito novo (dinheiro criado do nada) em ativos já existentes.
- A Crise de 2008: No Reino Unido, a dívida privada chegou a 180% do PIB em 2007.
A desregulação não trouxe investimento produtivo; trouxe esquemas Ponzi onde o crédito bancário serve apenas para inflacionar preços de ativos.
4. A Espiral Imobiliária: O "Grito" do Sistema de Crédito
Por que as casas são inacessíveis? Não é apenas falta de tijolos ou imigração. É um erro de design de sistema. Keen utiliza uma analogia de engenharia: o mercado imobiliário é como um cantor que coloca o microfone muito perto das colunas. O resultado é um amplificador de feedback — um grito que garante que, na economia, se traduza em preços explosivos.
Quanto mais os bancos emprestam, mais os preços sobem; como os preços sobem, as pessoas pedem empréstimos ainda maiores para "entrar no escalator". O crédito bancário é, na verdade, procura emprestada do futuro . Estamos a usar dinheiro criado hoje para comprar casas que já existem, garantindo que a próxima geração nunca mais conseguirá pagar.
5.Desmistificando o Défice: A Mentira da "Falta de Dinheiro"
A visão de Keen sobre a Teoria Monetária Moderna (MMT) desmascara o terrorismo fiscal de comentaristas como Ed Conway. O Estado, como emissor da moeda, não "precisa" de impostos para gastar. Os impostos servem para retirar dinheiro de circulação e evitar a inflação, e não para encher os cofres de um governo que podem criar a sua própria moeda.
A ideia de que o governo “tira” dinheiro do setor privado ao vender obrigações é falsa. No mercado primário, os bancos compram obrigações utilizando reservas que já existem no sistema — reservas que, actualmente, são 300 vezes superiores ao necessário. Sobre o medo do Zimbabué, Keen é letal:
"A inflação catastrófica requer a destruição da capacidade produtiva real — como a perda de minas, a destruição de infra-estruturas ou a expulsão de agricultores das suas terras. Sem essa destruição física, o pânico sobre os défices é mera paranóia."
6.A Receita para a Salvação: Três Soluções Radicais
Para restaurar a estabilidade da “Era do Ouro do Capitalismo”, Keen propõe uma receita integrada de três políticas que visam retirar o poder de criação monetária das mãos dos especuladores:
- Jubileu da Dívida Moderna: Uma injeção direta de cerca de 100 mil euros por adulto. Quem tem dívida é obrigado a liquidá-la; quem não tem, recebe o capital como ativo (garantindo justiça social). Isto reduz a dívida privada sem destruir a massa monetária necessária à circulação.
- “A Pílula” (Property Income Limited Leverage - PILL): Limitar legalmente o crédito imobiliário a, por exemplo, 10 vezes o rendimento de aluguer anual do imóvel. Se o banco não puder emprestar mais, o preço da casa não pode subir infinitamente.
- Autoridade de Habitação Acessível (AHA): O Estado deve emprestar directamente a juro zero. Ao contrário dos bancos comerciais, que criam dinheiro e cobram juros por algo que não lhes custou nada, o Estado não precisa de lucro, eliminando o fardo financeiro sobre as famílias.
7.Conclusão: O Ultimato Sistêmico
Continuamos a ser governados por modelos matemáticos que "não têm a mínima ideia" da natureza dinâmica da economia. Enquanto os políticos reagem com pânico instintivo aos déficits públicos, mas ignoram o câncer da dívida privada, serão condenados a repetir 2008 ad aeternum.
A economia é um sistema dinâmico, não um conjunto de diagramas estáticos de museu. A questão é simples: teremos a coragem de reformar o sistema e expulsar os charlatões do templo antes que uma próxima crise nos force a fazê-lo entre os escombros? Porque, para Steve Keen, o tempo dos economistas aparentemente já acabou muito.
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